Via: Estadão 02/02/2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Juca Ferreira, Secretário Municipal de Culturas de São Paulo, sobre se a questão do Cine Belas Artes entraria na sua lista de prioridades
"Já entrou. É do nosso interesse. Não sei se será necessária a desapropriação, mas nos adiantamos e o Iphan mandou fazer, pela Caixa Econômica Federal, a avaliação do imóvel. Estamos trabalhando juntos. Estou atendendo uma demanda da cidade, este é um patrimônio afetivo da cidade. Há outros cinemas de rua, alguns estão em processo de tombamento, outros já foram tombados. Eu acho o seguinte: existe uma leitura menos generosa, com a qual eu não concordo, de que precisamos investir na periferia e esquecer o centro. Precisamos levar os serviços públicos e incorporar plenamente a periferia. Mas o centro da cidade é um local importante em qualquer cidade do mundo. As cidades brasileiras deixaram degradar o seu centro".
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
'Até McDonald's fechou', diz comerciante da rua da Consolação (SP)
"O Riviera fechou, o Baguete fechou. Até um McDonald's fechou", lembra a comerciante Sueli Martins Moraes, 56, contando nos dedos tudo o que não deu certo na Consolação.
Sueli é dona do empreendimento que resistiu à decadência da região, a pizzaria Micheluccio, há 60 anos ali.
"Antigamente podia estacionar na frente. Não tinha o corredor de ônibus, ficava mais fácil chegar de carro aqui. Tudo foi mudando e ninguém aguentou", disse ela, dona da pizzaria desde 1996.
Para manter firme o negócio, durante o dia serve pastéis bem na entrada. "O aluguel está muito caro. Tem gente que paga R$ 20 mil."
Quem também ajuda a dar vida à esquina é o livreiro Silas Rocha, 65, que trabalha no na passagem subterrânea de pedestres na Consolação.
"Virou uma passagem literária e temos que cuidar. Já a esquina realmente perdeu o encanto. Torcemos para que novos negócios mudem isso", disse Rocha.
O empresário Facundo Guerra diz que os meios de transporte na região vão facilitar a chegada da clientela. "Para mim, o marco da cidade é a Paulista com a Consolação, uma localização excelente. Para quem virá de carro, há estacionamentos na avenida Angélica. E tem o metrô e ponto de táxi ao lado."
O empresário Facundo Guerra diz que os meios de transporte na região vão facilitar a chegada da clientela. "Para mim, o marco da cidade é a Paulista com a Consolação, uma localização excelente. Para quem virá de carro, há estacionamentos na avenida Angélica. E tem o metrô e ponto de táxi ao lado."
Para atrair o público, ele quer manter o que chama de um dos alicerces do Riviera. "O preço da comida tem de ser acessível, como era no passado, por isso o Riviera atraía estudantes", afirmou.
Ele diz estar com "a faca e o queijo" na mão para que o negócio deslanche.
"Não queremos errar com pratos e drinques caros, com programação ruim. Não queremos errar fazendo algo para a elite", afirma.
Ele diz estar com "a faca e o queijo" na mão para que o negócio deslanche.
"Não queremos errar com pratos e drinques caros, com programação ruim. Não queremos errar fazendo algo para a elite", afirma.
Fonte: http://bit.ly/13YcbPO
Análise: Espaço do bar Riviera ainda guarda a atmosfera de outros tempos
ROBERTO LOEB
A provável reabertura do bar Riviera, na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, poderá ser o início da recuperação de um canto da cidade que ainda emite sinais de vitalidade.
A provável reabertura do bar Riviera, na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, poderá ser o início da recuperação de um canto da cidade que ainda emite sinais de vitalidade.
Seu espaço fica na base de um belo exemplar da arquitetura moderna, projetado pelo escritório MMM Roberto --os célebres irmãos cariocas que projetaram e construíram a famosa sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no Rio de Janeiro.
Com elegantes e ondulantes paredes de blocos de vidro e seu jirau, o lugar ainda guarda a atmosfera do tempo em que ir ao Cine Belas Artes e esticar a noite no Riviera fazia parte do hábito de muitos paulistanos.
É um bom começo.
Mas isso deveria vir acompanhado da reabertura dos cinemas, da modernização da passagem subterrânea sob a Consolação, de um projeto de iluminação urbana, com a participação de empresários locais do comércio de luminárias, e o alargamento das calçadas, sequestradas por ônibus e automóveis.
Se fosse concedido um estímulo fiscal para a instalação de outros bares e restaurantes, livrarias e outros pequenos comércios, aí, sim, seria a glória. Significaria a reversão do declínio desse pedaço da cidade que ainda pulsa, mas no compasso silencioso da espera por dias melhores.
São Paulo merece isso.
ROBERTO LOEB é arquiteto e coordenou a reforma do Cine Belas Artes, em 2004.
Fonte: http://bit.ly/WCk2Nt
Após decadência, esquina da avenida Paulista espera 'filho pródigo'
GIBA BERGAMIN JR.
Alguma coisa acontece no coração de paulistanos nostálgicos, e não é na esquina da Ipiranga com a São João, imortalizada na voz de Caetano.
A reabertura do antigo bar Riviera, no meio do ano, e os planos da prefeitura de transformar o extinto Cine Belas Artes num centro cultural colocaram recentemente foco em outro cruzamento: da avenida Paulista com a rua da Consolação, que vem atravessando um período de decadência desde os anos 1990.
Aquele pedaço nobre da cidade viu, ao longo do tempo, seus principais pontos comerciais se fecharem --um dos mais célebres, o Riviera, fundado em 1950, baixou as portas em 2006.
Agora, a expectativa é de um renascimento. As obras no futuro bar --antigo reduto de intelectuais, artistas e todos os que eram contrários o regime militar durante a ditadura --já começaram.
Pelo espaço passaram cantores como Chico Buarque e Elis Regina, cineastas como José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e cartunistas do naipe de Chico, Paulo Caruso e Angeli --que encontrou, nas mesas do bar, inspiração para criar a personagem Rê Bordosa.
As características da antiga casa serão mantidas no novo Riviera. Um grande balcão vermelho será uma espécie de ponto de encontro. No segundo piso, haverá um espaço para shows de jazz.
Bar Riviera
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Na foto o empresário Facundo Guerra, um dos responsáveis pela reabertura do bar Riviera
MEMÓRIA AFETIVA
O empreendimento é do empresário Facundo Guerra e do chef Alex Atala. Ficará no mesmo lugar onde funcionou em seus 56 anos de existência --ocupará parte do térreo e do mezanino do edifício modernista Anchieta, projetado pelos irmãos cariocas do escritório MMM Roberto.
"Não tenho pretensão de salvar marcos da cidade. Mas acho que [melhorar as condições do entorno] é um efeito colateral positivo do trabalho, como aconteceu com outras casas, como o Vegas, na Augusta, e o Cine Joia, [no centro]", disse Guerra.
O empresário afirma ter relação afetiva com o Riviera, o qual frequentou em seus últimos anos de funcionamento. "Foi um lugar superimportante para o meu pai, que militou. Minha família inteira é de comunistas. Para contar essa história de novo fica muito mais fácil", afirma.
Para o vereador Nabil Bonduki (PT), urbanista e professor da USP, porém, o processo de revitalização depende de um projeto para o Belas Artes.
"O grande o motor daquela região é o Belas Artes. Seu fechamento levou a um afundamento definitivo da região. Não adianta só ter um restaurante, com valet na porta. Precisa mais que isso."
Fonte: http://bit.ly/WCiWRP
sábado, 19 de janeiro de 2013
Belas Artes: Começa diálogo que pode reabrir cinema
Reunião com prefeitura de São Paulo anima grupos que lutam para reativar salas. Surge ideia de convertê-las em polo de um corredor cultural
Por Bruna Bernacchio
Reacesa com a posse do novo prefeito de São Paulo a luta para
resgatar um importante patrimônio cultural da cidade ganhou ainda mais fôlego
ontem (17/1). Representantes do Movimento Belas Artes (MBA) e outros grupos da
sociedade civil reuniram-se pela primeira vez com o novo secretário da Cultura,
Juca Ferreira. O encontro acabou com a atitude de indiferença adotada nos dois
últimos anos pelo poder público. Juca assegurou que a prefeitura tem interesse
na volta do cinema, ameaçado de se converter em loja de departamentos. Embora
haja obstáculos importantes para o resgate, abriu-se um canal de diálogo para
buscar soluções. Animado, o movimento já pensa num projeto mais amplo, que
transformaria o Belas Artes num dos marcos de um novo corredor cultural
Paulista-Consolação, no centro da metrópole. Se impulsionado pela prefeitura,
contribuiria para enfrentar a tendência à mercantilização dos espaços públicos.
“Juca
ouviu muito”, contou, à saída da reunião, Moura Reis, jornalista aposentado e
crítico de cinema. Estava interessado em conhecer a história e as ideias do movimento. “A cidade está carente
de diálogo”, disse o secretario. Para os defensores do Belas Artes, já é um
passo muito significativo. Desde o início do movimento, “a atitude da
prefeitura e do Estado foi renitente e omissa quanto a uma solução definitiva
para o caso na maior parte do tempo”. Dessa vez, Juca registrou, ele
mesmo, as propostas e comprometeu-se a estudar as possíveis formas de recuperar
o espaço, prevendo uma nova reunião para depois do carnaval. Além dele, estavam
presentes o vereador recém-eleito Nabil Bonduki, e Vera, assessora de Eliseu
Gabriel, presidente da CPI do Belas Artes e atual Secretario do Trabalho.
“A CPI ajudou para ver as soluções democráticas”, analisa Moura.
O Cine Belas Artes foi por décadas um tradicional cinema de rua e importante
território de formação cultural. Teve de ser fechado no início de 2011 por um
brusco aumento no aluguel e falta de financiamento. Flávio Maluf, o dono do
imóvel, nunca se importou com a perda do patrimônio: desde o início demonstra
seu desejo de vender o prédio para quem puder pagar mais. A negociação com ele
ainda não foi iniciada. Além disso, se o imóvel em que está o cinema for
declarado de utilidade pública, como propõe o relatório da CPI, é necessária
uma parceira com a iniciativa privada, para sustentar as salas. O projeto do
corredor cultural Paulista-Consolação por enquanto continua no sonho — mas foi
a ideia recebida com mais entusiasmo pelo secretário.
A ideia
surgiu quando se buscava “pensar uma solução de forma mais integrada,
sincronizar políticas para cultura, educação e turismo”, conta o jornalista
Beto Gonçalves, um dos principais articuladores do movimento. O corredor
abrangeria uma área que começa na Avenida Vergueiro, com seu popular centro
cultural, atravessa a Paulista e a Consolação e chega até a recém-reformada e
ocupada Praça Roosevelt. Seria composto por vários polos. Em um deles, o da
esquina Paulista-Consolação, diversos pontos que se inter-relacionam: o Cine
Belas Artes, a Praça do Ciclista, a passagem subterrânea e seu sebo, o futuro Museu do Instituto Moreira Salles, e outro clássico a ser reaberto, o
Bar Riviera — projeto do chef Alex Atala e o empresário Facundo Guerra. O Belas
Artes, utilizado assim em seu auge, volta a ser a âncora da natural simbiose
desses polos. A Praça do Ciclista como representação de uma nova consciência
para uma cidade mais humana.
Seria uma medida de
contratendência à especulação imobiliária. Em uma área almejada pelo mercado
comercial e financeiro, a prefeitura tem a oportunidade de estimular — ainda
mais — o movimento contrário, já em curso, de convivência nos espaços públicos.
Em um momento de desindustrialização da cidade, ganha importância outra
movimentação, também com potencial econômico: a da criatividade. São Paulo,
como importante megalópole mundial, aproveitaria seu grande potencial para
tornar-se um centro de cultura de rua, de diversidade, tolerância, convivência.
Fonte: http://bit.ly/13NOb1I
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Juca Ferreira começou bem
09/01/2013 - 07h56
A decisão de desapropriar o Cine Belas Artes, transformando-o num centro cultural, é um bom começo de Juca Ferreira, novo secretário da Cultura. Apesar de ser de fora, ele mostrou intimidade com um ícone da cidade. Ali poderá ser uma das esquinas mais charmosas da cidade.
Logo na frente do Belas Artes, hoje abandonado, Alex Atala e Facundo Guerra estão criando, um clube de jazz onde era o antigo Riviera. Conhecendo os dois, dá para saber que será sucesso na certa. Ligando esses dois imóveis, existe uma passagem subterrânea, debaixo da Consolação, que poderia virar uma galeria de arte ou coisa parecida. Para completar, há, ao lado, duas linhas de metrô.
Muito melhor do que ter ali uma loja ou coisa parecida.
Resta, claro, a questão do custo. Não é difícil que uma empresa privada ou um banco oficial --tipo Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal-- queiram se associar ao projeto, colocando sua marca no projeto num local com tanta visibilidade.
A vocação da cidade é a economia criativa. Transformar espaços em polos de cultura é um bom negócio.
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.
Fonte: http://bit.ly/11Aeg4N
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