sábado, 18 de janeiro de 2014

Belas Artes: o templo revive - Luiz Zanin

Como Fênix, parece que o Belas Artes vai renascer das cinzas. Patrocinado agora pela Caixa Econômica Federal, volta à atividade sob a batuta de André Sturm, atual diretor do Museu da Imagem e do Som, e que levou o Belas Artes com galhardia até a sua última sessão, três anos atrás.
A se confirmar, a notícia não poderia ser melhor para os que gostam do cinema dito de arte em São Paulo. Enquanto funcionou, o Belas Artes foi um templo do cinema que foge à banalidade dos filmões de Hollywood, principal alvo das salas comerciais dos shopping centers.
Voltará a ser, sob o comando de Sturm, mais um dos poucos espaços de referência dessa cidade cinéfila que é São Paulo, mas que, paradoxalmente, dispõe de poucas salas alternativas.
Além disso, o Belas Artes tem grande tradição por trás. Durante muitos anos foi sinônimo de cinema de qualidade, em suas várias fases. Foi baluarte do cinema francês quando era da Gaumont. Depois, continuou a programar filmes de bom nível e, já no final, cultivou o hábito de manter obras de qualidade em cartaz, dando tempo para que elas acontecessem no boca a boca dos interessados. Por exemplo, Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais, ficou dois anos (!) em cartaz no Belas Artes. E onde mais poderia ter estabelecido essa marca, neste tempo de reciclagem rápida, em que obras de arte são tratadas como salsichas ou sabonetes?
Para a minha geração havia uma certeza: a gente podia ir ao Belas Artes sem conferir a programação porque sabia que lá iria encontrar algum filme no mínimo interessante. Vi lá A Idade da Terra, de Glauber Rocha, numa sessão tumultuada e histórica. Vi lá, pela primeira vez, E la Nave Va, de Federico Fellini. Assisti a filmes de Godard, de Chabrol, de Visconti, de Pasolini. Enfim, minha geração deve muito de sua formação cinéfila a este cinema que vai agora reabrir.
Tinha outra coisa. O programa completo da moçada (nós…) era assim: assistir a um filme do Belas Artes e discuti-lo depois no Bar Riviera, que ficava em frente, do outro lado da av. da Consolação. Bebíamos e conversámos de cinema, mas não apenas, porque a política entrava em campo junto com a estética e as discussões iam madrugada adentro. Aquele era um point da vida cultural paulistana, que não merecia acabar como acabou, vítima do descaso, da especulação, da ganância, da violência da cidade, etc.
Pois bem, o Bar Riviera voltou e está lá, aberto. Não vi como ficou. Agora, chega essa boa notícia do Belas Artes. Se tudo der certo, a cidade recupera um ponto de encontro, um verdadeiro circuito cultural formado pelo cinema e pelo bar para onde escoa o público depois da sessão. Não custa sonhar. Com essa vitória, a cidade humaniza-se um pouco.
Fonte: http://bit.ly/1kJZ1Rs

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Vitória Histórica! 

Belas Artes será reaberto!

3o
Finalmente, uma boa notícia aos apoiadores do Movimento Cine Belas Artes (MBA): o cinema reabrirá em maio!
A Prefeitura de São Paulo e a Caixa Econômica Federal viabilizaram a reabertura do clássico cinema situado na esquina da Rua da Consolação com a Av. Paulista. O movimento continua acompanhando de perto os acertos finais das negociações, que só foram retomadas graças à maior mobilização já ocorrida no Brasil em defesa de uma patrimônio cultural.
Nada disso estaria acontecendo se não fosse o engajamento de cada um de vocês, 90 mil apoiadores que acompanham a nossa Causa desde seu surgimento, no Facebook, três anos atrás – quando o Belas Artes ainda estava na iminência de ser fechado! Muito obrigado!
FESTA NA AV. PAULISTA NO DIA 24/01, SEXTA-FEIRA
Vamos comemorar essa grande conquista na sexta-feira, dia 24 de janeiro! É um fabuloso presente para a cidade de São Paulo, que completa 460 anos no dia seguinte.
Concentração: às 19h na Praça do Ciclista (Av. Paulista, perto da esquina com a Consolação).
Venham todos e divulguem o evento! http://on.fb.me/Ls1FvJ
Quero Belas Artes: http://bit.ly/Kpl2nT
Movimento Cine Belas Arte (MBA) 
Notícia no Estadão: http://bit.ly/1axraEw
Notícia na Folha: http://bit.ly/KbDQaC

sábado, 4 de janeiro de 2014

Vivian Oswald

Publicado: 03/01/14 - 7h00

LONDRES - Quarenta anos atrás, ninguém diria que a degradada região industrial que se estende de Hackney Wick e Fish Island a Stratford, a leste da capital britânica, se tornaria um dos maiores celeiros de artistas do mundo. Desde então, os antigos armazéns, fábricas e edifícios abandonados desta que já foi uma das áreas mais pobres do Reino Unido e ostentou os piores indicadores sociais do país tornaram-se endereço de artistas britânicos e estrangeiros, com galerias de arte compartilhando espaço com oficinas mecânicas, portões de metal desgastado pela ferrugem, entulho e pichações.


Não há estatísticas oficiais, mas a estimativa dos locais é de que há pelo menos dois mil profissionais estabelecidos ali, num dos perímetros urbanos de maior concentração de artistas da Europa, onde nomes importantes da cena contemporânea britânica fizeram ou ainda fazem suas carreiras.
Nos últimos anos, novos espaços de criação deram mais um impulso à área, como a galeria de arte Stour Space, fundada há três anos, e o teatro The Yard, construído com restos de estruturas das Olimpíadas. O movimento já é uma extensão da ocupação do leste de Londres pela comunidade artística. Até bem pouco tempo, a moda era a Old Street, na extremidade de Shoreditch. Expulsos pela especulação imobiliária, os artistas foram estendendo as fronteiras dos seus domínios. Aos poucos, eles próprios, que se queixam dos altos preços, também vão removendo a comunidade tradicional do bairro, que já não tem mais como ficar.
— Todos vieram para cá. Estamos quase num ponto de saturação — conta a artista plástica Joanna Hughes, dona da galeria Mother Studios, que reúne 44 ateliês de 60 artistas diferentes em um prédio da década de 1930.
Organização apoia artistas
Os pioneiros da renovação da área foram Jonathan Harvey e David Panton. Recém-saídos da faculdade de Artes, há 40 anos, eles fundaram em 1972 a ACME Studios, uma organização sem fins lucrativos para ajudar os artistas a encontrar espaços por que possam pagar. Com 552 estúdios e programas de residência nacional e internacional, a entidade já apoiou cinco mil artistas, como a escultora Rachel Whiteread (um dos destaques da galeria Gagosian), primeira mulher a receber o Prêmio Turner, em 1993, e Grayson Perry, vencedor da premiação dez anos depois.
A história da ACME, que acabou por se misturar com o desenvolvimento da área, foi documentada durante as suas quatro décadas de existência e está em exibição na galeria White Chapel até o dia 14 de fevereiro.
— Seria inimaginável, naquela época, em meio à depressão, pensar que este seria um dos maiores centros de produção artística do mundo. Apoiamos muitos artistas de grande qualidade, sendo que oito deles ganharam o prestigiado Prêmio Turner — afirma Jonathan Harvey, um dos maiores especialistas no desenvolvimento artístico da região, para quem a migração para um novo centro artístico cada vez mais ao leste de Londres foi determinante para a produção do país.
A galeria Stour Space, que chegou quando a área já estava consolidada como polo artístico, foi aberta à beira do canal, com vista para o gigantesco estádio construído no parque olímpico de Stratford, o empreendimento mais caro das Olimpíadas de Londres. O local, que ocupa um dos antigos armazéns, esteve prestes a ser despejado pela especulação imobiliária pós-olímpica e agora, com a ajuda dos artistas e da comunidade, está de olho nos três prédios vizinhos, que hoje abrigam 144 estúdios.
O amplo galpão central é dividido entre 24 ateliês compartilhados por 44 profissionais e um grande espaço para mostras, além do café debruçado sobre o canal. Caine Crawford, um dos fundadores do espaço, afirma receber cerca de mil visitantes somente aos sábados. Professor de arquitetura, ele leva experimentos bem e malsucedidos dos alunos para o mundo das artes. E é o responsável pelas transformações do espaço de exibições a cada novo evento — neste início de ano, os artistas da galeria, que estão entre os melhores nomes da comunidade de Hackney Wick, têm direito a uma coletiva.
— Colocamos e tiramos paredes. Nada é igual, nunca. Um artista importante me perguntou se poderíamos pendurar uma cama lá no teto. Antes mesmo de refletir sobre o assunto, concordei na hora. E deu muito certo — diz Crawford, apontando para o alto.
Teatro produz talentos locais
No teatro The Yard, os restos de estruturas dos Jogos foram usados para montar a arquibancada, com capacidade para 110 espectadores, e no restante dos espaços da antiga casa, que divide o pátio com duas oficinas. A chegada do teatro não deixou de causar tensão nos locais, desconfiados de que estariam sendo engolidos pelas novas tribos que desembarcam sem cessar na região.
— Investimos na participação da comunidade, que se apresenta aqui e assiste a nossos espetáculos. Esta é uma obsessão do Jay Miller, idealizador do projeto: ingressos a preços razoáveis — diz Lucy Oliver-Harrison, da equipe do teatro.
Jay conta que queria remover as fronteiras erguidas pela especulação imobiliária londrina do mundo da criação:
— A arte é um negócio, e temos que aceitar isso. Mas queria dar ao projeto uma vertente social importante.
Com subsídios da administração regional, o empreendimento tem receita própria, que vem também do bar do teatro . O que passou da conta, como a reforma do telhado para dar o isolamento necessário ao teatro durante o inverno, saiu de uma operação bem-sucedida de crowdfunding.
O Yard realizou 82 novas pequenas produções desde que abriu as portas. Muitos talentos saem do próprio bairro, que não só tem recebido, mas produzido seus novos artistas. Este foi o caso de Michaela Cole, que montou e apresentou ali sua primeira peça. Pouco tempo depois, sua produção recebeu prêmios importantes.
— Ela ainda não conseguiu espaço na agenda para voltar ao palco do Yard — conta Lucy.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/a-leste-de-londres-de-area-decadente-polo-de-criacao-11198084#ixzz2pNESX0UP 
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terça-feira, 19 de março de 2013

Dois anos sem o Cine Belas Artes: sim!, há o que comemorar

Há dois anos, na noite de uma quinta-feira de março, com muita tristeza, assistimos à última sessão do Cine Belas Artes. Quando as luzes do projetor se apagaram e as da sala se acenderam pela última vez, se fez um silêncio profundo. À saída, em vez de corriqueiros comentários sobre o filme que acabávamos de ver, pairou um clima de velório. “Acabou!”, muitos disseram.


Manifestantes realizam ato em março de 2012 em frente ao Cine Belas Artes, tradicional reduto do cinema independente de São Paulo, fechado há um ano por falta de financiamento e apoio do governo. Foto: Fora do Eixo/Flickr
Manifestantes realizam ato em março de 2012 em frente ao Cine Belas Artes, tradicional reduto do cinema independente de São Paulo, fechado há um ano por falta de financiamento e apoio do governo. Foto: Fora do Eixo/Flickr
Apesar da luta que, nos meses anteriores, havia mobilizado milhares de pessoas contra o fechamento do Belas Artes, parecia se repetir a sina que tem marcado a cidade nas últimas décadas: o fechamento dos cinemas de rua, nesse caso, o mais importante deles. Parecia irreversível o desaparecimento de um lugar que já havia marcado a vida cotidiana de São Paulo, uma sala de arte que se manteve independente dos circuitos comerciais e que havia se transformado em uma referência urbana e cultural da cidade.
Seduzido por um aluguel milionário que, segundo se dizia, era oferecido por uma rede comercial, o proprietário do prédio não aceitou nem uma boa proposta de locação que tornasse possível manter o cinema aberto. “Não tem jeito!”, recomendava o senso comum. “É a força da grana que destrói coisas belas”. Paciência, diziam os céticos: a desenfreada valorização imobiliária chegou até aqui.
Por sorte, não existem apenas céticos; milagrosamente, no meio dessa selva de concreto, aparecem apaixonados que não se conformam em ver desaparecerem as últimas referências que conferem identidade aos lugares significativos da cidade. Reunidos no Movimento Pelo Cine Belas Artes (MBA), jovens e velhos frequentadores do cinema não cederam à lógica dominante e ergueram trincheiras contra o que parecia irreversível.
Esse grupo de militantes e ativistas urbanos e culturais, respaldados por mais de cem mil cidadãos que apoiam essa causa na internet e milhares que assinaram presencialmente o manifesto, buscou os conselhos de defesa do patrimônio cultural, para lhes mostrar a necessidade de preservar, do processo imobiliário, os espaços públicos de cultura que se tornaram referenciais para a cidade.
Com tenacidade e persistência, o MBA manteve a chama da esperança acesa por dois anos. O cinema está ali, fechado, triste, escuro, fazendo falta sempre que queremos ver um bom filme, mas alguma luz parece surgir no final do túnel. O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) determinou o tombamento da fachada e registro de memória do cinema. Nenhuma obra ou alteração física pode ser feita sem a autorização do órgão. Espera-se que, com a nova administração da cidade, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio), que há dois anos abriu processo de tombamento do cinema, possa retomar o assunto, que recebeu parecer positivo da sua área técnica. O proprietário contabiliza os milhões que deixou de receber pela excessiva ganância.
Para além de sua importância como cinema, a reabertura do Cine Belas Artes é fundamental para a reabilitação da vida cultural e urbana da esquina das avenidas Consolação e Paulista, que caiu em decadência, sobretudo durante a noite, nos últimos anos. Em breve estará de volta o Bar Riviera, tradicional ponto de encontro que faz parte desse conjunto cultural. O que será dele sem o movimento efervescente gerado por um cinema como o antigo Belas Artes? Mais um restaurante com “valet” na porta? É disso que São Paulo precisa?
Não, a região necessita de um impulso capaz de potencializar sua ocupação. Com medidas simples de segurança e manutenção, a passagem subterrânea que liga o Belas Artes ao Riviera poderá ser rapidamente revitalizada, com a valorização dos sebos ali instalados. Um bom projeto urbano poderá conectar todos esses espaços com a Praça do Ciclista e outros espaços públicos do entorno.
Os cinemas de rua exercem um papel fundamental no repovoamento do espaço público, elemento estratégico da construção da cidade que queremos. Por essa razão, propus uma lei, aprovada em 2004, que garante incentivos fiscais aos cinemas de rua, que precisa ser estendida a outros equipamentos culturais de rua, em especial os teatros.
Outras medidas de proteção aos espaços culturais públicos não estatais, situados nas ruas, precisam ser instituídos, alargando o conceito das Zonas Especiais de Preservação Cultural (Zepec), dispositivo que garante a preservação de bens imóveis representativos de valor cultural e comunitário, criado pelo Plano Diretor Estratégico (PDE), que relatei na Câmara Municipal, em 2002. Sua revisão, que ocorrerá neste ano, é a grande oportunidade que temos para aprofundar essa proteção e evitar que outros espaços culturais significativos venham a desaparecer.
Mesmo fechado (provisoriamente, espero), o Belas Artes resistiu por dois anos porque parcela relevante da comunidade paulistana se mobilizou e o defendeu como parte da identidade da cidade. Sim, podemos comemorar: o Movimento Belas Artes vem mostrando que a cidadania cultural pode enfrentar “a força da grana”.
Nabil Bonduki, professor da FAU-USP, livre-docente em planejamento urbano, é vereador em São Paulo. Foi o relator da Lei do Plano Diretor Estratégico da cidade
Fonte: Carta Capital

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Juca Ferreira, Secretário Municipal de Culturas de São Paulo, sobre se a questão do Cine Belas Artes entraria na sua lista de prioridades

"Já entrou. É do nosso interesse. Não sei se será necessária a desapropriação, mas nos adiantamos e o Iphan mandou fazer, pela Caixa Econômica Federal, a avaliação do imóvel. Estamos trabalhando juntos. Estou atendendo uma demanda da cidade, este é um patrimônio afetivo da cidade. Há outros cinemas de rua, alguns estão em processo de tombamento, outros já foram tombados. Eu acho o seguinte: existe uma leitura menos generosa, com a qual eu não concordo, de que precisamos investir na periferia e esquecer o centro. Precisamos levar os serviços públicos e incorporar plenamente a periferia. Mas o centro da cidade é um local importante em qualquer cidade do mundo. As cidades brasileiras deixaram degradar o seu centro".

Via: Estadão 02/02/2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

'Até McDonald's fechou', diz comerciante da rua da Consolação (SP)

"O Riviera fechou, o Baguete fechou. Até um McDonald's fechou", lembra a comerciante Sueli Martins Moraes, 56, contando nos dedos tudo o que não deu certo na Consolação.


Sueli é dona do empreendimento que resistiu à decadência da região, a pizzaria Micheluccio, há 60 anos ali.

"Antigamente podia estacionar na frente. Não tinha o corredor de ônibus, ficava mais fácil chegar de carro aqui. Tudo foi mudando e ninguém aguentou", disse ela, dona da pizzaria desde 1996.

Para manter firme o negócio, durante o dia serve pastéis bem na entrada. "O aluguel está muito caro. Tem gente que paga R$ 20 mil."

Quem também ajuda a dar vida à esquina é o livreiro Silas Rocha, 65, que trabalha no na passagem subterrânea de pedestres na Consolação.

"Virou uma passagem literária e temos que cuidar. Já a esquina realmente perdeu o encanto. Torcemos para que novos negócios mudem isso", disse Rocha.

O empresário Facundo Guerra diz que os meios de transporte na região vão facilitar a chegada da clientela. "Para mim, o marco da cidade é a Paulista com a Consolação, uma localização excelente. Para quem virá de carro, há estacionamentos na avenida Angélica. E tem o metrô e ponto de táxi ao lado."

Para atrair o público, ele quer manter o que chama de um dos alicerces do Riviera. "O preço da comida tem de ser acessível, como era no passado, por isso o Riviera atraía estudantes", afirmou.

Ele diz estar com "a faca e o queijo" na mão para que o negócio deslanche.

"Não queremos errar com pratos e drinques caros, com programação ruim. Não queremos errar fazendo algo para a elite", afirma.