quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SALVEM O CINE BELAS ARTES

Vamos salvar o cine belas artes e ajudar para que ele seja tombado.

Ajude na divulgação e compareça hoje no manifesto em frente ao cinema.

Noticia Urgente: http://bit.ly/qfw1yk

Blog Oficial da Causa: www.querobelasartes.blogspot.com

Twitter: @querobelasartes

Facebook: www.facebook.com.br/querobelasartes

Evento: http://www.facebook.com/event.php?eid=286583571370188

Obrigado a todos a favor da 7ima arte

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Manifesto em comemoração da abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes


O Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA) convida a todos para uma festa em frente ao cinema na quarta-feira, 5/10/2011, às 19h. Vamos celebrar a abertura hoje do processo de tombamento do Cine Belas Artes, do Bar Riviera e da Passagem Subterrânea pelo Condephaat, que honrou a memória de Mário de Andrade, um dos mentores da legislação brasileira de proteção do patrimônio cultural e histórico e responsável pela criação do Departamento Municipal de Cultura na década de 1930. 

A festa também funcionará como ato de protesto contra a Prefeitura de São Paulo, que aprovou o arquivamento do processo de tombamento na reunião do Conpresp do dia 27/09, sem incluir o Belas Artes na pauta publicada na edição de 20/09 do Diário da Cidade de São Paulo. Tal medida foi uma afronta à Lei Municipal 15.201/10, que obriga o órgão a publicar as pautas de suas reuniões no D.O. com sete dias de antecedência. 

Fazemos um agradecimento especial ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), órgão assessor do Conpresp, que fez um corajoso parecer pró-tombamento de 80 páginas. O parecer nunca foi discutido oficialmente pelo Conpresp. 

Também agradecemos à atitude republicana da presidente do Condephaat, Fernanda Bandeira de Mello, que recebeu uma comissão do MBA com sete pessoas no dia 15/09. Fomos levar vários documentos e materiais de pesquisa sobre o cinema e pedir que o Condephaat aprovasse a abertura do processo, uma vez que já havíamos perdido a esperança de que o Conpresp fizesse uma discussão cuidadosa e com tempo para a sociedade civil e especialistas tomarem conhecimento dos pareceres do processo. 

Relataremos nos próximos dias os momentos de angústia e esperança que enfrentamos durante esta bela mobilização por uma cidade mais sustentável, zelosa de seus espaços públicos e da cultura de rua. Aos poucos, estaremos agradecendo a várias pessoas importantes nesta luta. 

A mobilização agora precisará de mais voluntários para assegurarmos o tombamento do conjunto formado pelo Belas Artes, Bar Riviera e Passagem Subterrânea. A prefeitura precisará dizer de que lado ficará: se da cultura de rua, dos espaços públicos, ou do lado do dono Flávio Maluf, que insistiu em recusar a bela fortuna de 1 milhão de reais de aluguel por ano oferecida pelo cinema, ficando pé em quase 2 milhões de reais anuais. A cifra, segundo ele, foi-lhe prometida por uma grande loja. 

Vamos cobrar da prefeitura que retome o projeto de revitalização do quarteirão Paulista/Consolação, abandonado desde 2006, e que governo do Estado e administração municipal implementem ações que façam da chegada do metrô na área um incentivo à cultura de rua e à preservação do espaço público em vez de abrir caminho para a destruição do patrimônio histórico e cultural.


Belas Artes afirma que Conpresp não deveria ter decidido o destino do cinema

Procuradoria Geral do Município de SP declarou como inconstitucional o tombamento do prédio que abrigava o cinema. Confira entrevista com um dos coordenadores do movimento, Beto Gonçalvez.

Condephaat autoriza início de processo de tombamento do Cine Belas Artes


Dono do imóvel não poderá dar nenhum outro fim ao edifício enquanto processo não terminar


03 de outubro de 2011 | 13h 40
Luísa Alcalde - Jornal da Tarde

SÃO PAULO - Após quatro horas de discussão na manhã desta segunda-feira, 3, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão do governo estadual, acaba de autorizar a abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes, na região da Consolação, centro da capital.


Conpresp negou tombamento na semana passada - JB Neto/AE

JB Neto/AE

Conpresp negou tombamento na semana passada
Enquanto o processo não chegar ao final o proprietário do imóvel não poderá dar nenhum outro fim ao edifício.
Conselheiros do órgão consideraram no parecer que não só o imóvel do cine Belas Artes como também o do antigo restaurante Riviera e a passagem subterrânea da Rua da Consolação, que faz a ligação entre essas duas edificações, marcaram época na capital e podem ser tombados como bem cultural de artes.


O advogado do proprietário do Cine Belas Artes, Fábio Luchesi Filho, disse que ainda desconhece o teor do processo de tombamento. "Ainda não tomei conhecimento do teor desse processo de inicio de tombamento. Devo ter acesso até, no máximo, nesta quarta-feira. Se há um processo, vamos recorrer", afirmou.
Texto atualizado às 15h48 para acréscimo de informações

Veja também:
link Procuradoria diz não a tombamento do Belas Artes 
link Conselheiros rechaçam pedido de tombamento do Cine Belas Artes 
link 'Estadão/ESPN': Belas Artes afirma que Conpresp não deveria ter decidido o destino do cinema

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sorriso perdido


TERÇA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 2011

E o Cine Belas Artes fechou. No fim de janeiro, quando ele ainda dava seus últimos suspiros, foi organizada uma festa para angariar recursos para imprimir um abaixo assinado promovido contra o fechamento do cinema. Foi no Studio SP. A banda era aquela do Thunderbird, Tarântulas e tarantinos. Um amigo, Fábio Ornellas, que esta realizando um documentário sobre o Belas (desde muito antes da história do fechamento) me convidou para acompanhá-lo na cobertura do evento. Não havia 50 pessoas ali. Chegamos as dez. A uma da manhã a banda ainda não havia subido ao palco. Bem antes de ir embora, conheci alguns dos representantes mais entusiasmados do movimento pela preservação daquele patrimônio. Entre eles, Sorriso. Um homem com cerca de quarenta anos, com traços orientais, cabelo grisalho, portador da carteirinha de número um do antigo cineclube e de um sorriso certo, que justificava o apelido.

Há uma semana assisti uma cena que não me sai da cabeça. E que me faz escrever essas linhas. Era de manhã. Sai um pouco tarde para o trabalho e tive que ir de transporte público (normalmente vou caminhando). Quando o ônibus dobrou a esquina da Paulista com a Consolação avistei Sorriso. Ele saia apressado da passagem subterrânea que dá acesso ao ponto de ônibus, mas ao invés de seguir o seu caminho e se preparar para pegar o ônibus, derrepente, ele parou. Com os olhos baixos, ele contemplou o cinema, agora desativado. Estava atonito. Parecia nem respirar. Enquanto meu ônibus descia a Consolação, no tempo em que foi possível, observei que ele continuava ali, estático, já sem a referência de outrora. Sem o cinema. Sem o sorriso. Ambos, perdidos.




Essa foi a triste imagem que ele viu.



Escreveu Rafael Munduruca em seu blog.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sai da frente que lá vem escavadeira!


Tratores, gruas e escavadeiras passaram a fazer parte da paisagem de cidades e comunidades, anunciando um processo de destruição/reconstrução jamais visto neste país. Não por acaso, têm sido frequentes os protestos de pessoas que perderão suas casas e bairros ou de grupos que não se conformam em perder referências territoriais construídas ao longo da vida.
O que existe em comum entre o movimento pela permanência do Cine Belas Artes na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação e a luta dos moradores do bairro da Água Branca, em São Paulo, com a luta da Vila de Pescadores de Jaraguá, em Maceió, e dos moradores do Morro da Providência, em plena área portuária do Rio de Janeiro?
Em todos estes locais, empreendimentos públicos e privados têm ameaçado a existência de comunidades e a permanência de moradores, ou, no caso do Belas Artes, a manutenção de um uso específico de um local.
A pergunta que não quer calar e que vale para todos estes casos é: com que instrumentos nós podemos contar para definir o que merece ser preservado e o que pode ser destruído? Além do valor econômico, que outros valores constituem a cidade e o território? Quem decide quais são estes valores?
Infelizmente, hoje, o planejamento territorial e as regras de uso e ocupação do solo, que deveriam ser, em tese, o instrumento definidor destas questões, ou são “pedaços de papel pintado”, sem nenhuma incidência no processo decisório sobre os investimentos privados e públicos, ou, quando existem, são feitos sob medida para estes investimentos, abrindo basicamente frentes de expansão econômica com pouca ou nenhuma aderência ao conjunto de atores que construíram estes lugares e que deles fazem parte.
Diante deste cenário, resta o instrumento do tombamento, cada vez mais mobilizado pelas comunidades na defesa da permanência de seus valores e territórios. Vale ressaltar que o conceito de patrimônio histórico-cultural evoluiu da identificação da excepcionalidade material para uma compreensão da “referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”, como consta da Constituição de 1988.
Foi sob esta ótica que o Cine Brasília, em 2007, e o Cine Paissandu, em 2008, foram tombados pelos órgãos de patrimônio do Distrito Federal e do Rio Janeiro, respectivamente. É nesta linha que o Cine Belas Artes enfrenta uma discussão em torno de seu tombamento no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São Paulo (Conpresp).
Mas se quisermos, de fato, enfrentar esta questão, nosso desafio vai muito além: como incorporar valores (além dos valores econômicos) no processo decisório sobre as transformações do país? Isso passa, evidentemente, por maior transparência e discussão pública, mas também pelo necessário amadurecimento da sociedade brasileira no sentido de pensar e planejar antes de fazer.

Por Raquel Rolnik - Yahoo