quarta-feira, 3 de agosto de 2011

BELAS ARTES: RUMO À UTILIDADE PÚBLICA


Percebendo os entraves ao tombamento, o MBA decide abrir a discussão sobre outras opções para salvar um marco da paisagem paulistana.

Faça seu depoimento pela reabertura do cinema para ser anexado à solicitação de utilidade pública a ser enviada ao prefeito e à Assembleia Legislativa do Estado



Exemplos:

(...) "Apresentei-a a muitos dos meus amores e a revisitei com tantos outros, mentiria se dissesse que houvera trazido todas as mulheres da minha vida. Minha mãe nunca a conheceu e, infelizmente, tão pouco vai conhecer.

Meu segredo é: não tenho receio em dizer que atesoro cada um dos bons momentos ali vividos. Sobre aquele terraço de mármore negro limitado por uma grande vitrine de vidro assistindo ao corredor de ônibus sempre congestionado naquele ponto, terminando a Rebouças, eu iniciei muitos dos meus romances.

É triste, mas a vida não é como nos filmes de finais felizes e encantadores, as vezes penso: vivemos no real teatro da tragédia".

Fernando Fileno


"Em 2004, durante uma conversa com André Sturm, tive a ideia de levar crianças, escolas, para o Belas Artes. Entrei em contato com a ONG - Instituto Padre Mariano, na qual eu havia trabalhado como voluntária e apresentei uma proposta. Eles escolhiam o filme e agendávamos a sessão. Mesmo sem patrocínio realizamos as sessões gratuitamente.

(...)

Nos grupos de jovens do Abrigo Municipal (meninos de Rua) e em Liberdade Assistida (ex-detentos), nenhum deles havia entrado em um Cinema antes.

Descobriram o que era um "cinema" durante esse Projeto. Aprenderam a amar, apreciar e respeitar a sétima arte. Descobriram que também podiam sonhar, imaginar e transformar as suas realidades".

Wania Malafaia


"O CINEMA BELAS ARTES É DA CIDADE DE SÃO PAULO. UM ÍCONE DA CULTURA E DA HISTÓRIA DA CIDADE. COMO PAULISTANA VOU LUTAR POR ELE".


ESMERALDA HANNAH



Telmo Estevinho – aposentado (muitos frequentavam às tardes)


"A primeira vez que estive em SP foi em 1992 para conhecer o Belas Artes, um cinema famoso que nós, no interior de SP ouvíamos muito falar! Vi "O Marido da Cabelereira" e nunca me esqueci das pessoas na sessão lotada, das poltronas, da atmosfera charmosa que o cinema transmitia! Este cinema não pode fechar, é muito mais que um prédio, é uma atmosfera carregada de histórias da cidade de SP, dos seus visitantes..."


http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/03/comerciantes-ainda-sofrem-impacto-do-fim-do-cine-belas-artes-veja-como-esta-o-espaco.jhtm


Comerciantes ainda sofrem impacto do fim do Cine Belas Artes; veja como está o espaço

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Fachada do Cine Belas Artes em 4 de janeiro... e em 29 de julho deste ano


Quase cinco meses após o encerramento das atividades do Cine Belas Artes, os comerciantes da rua da Consolação, região central de São Paulo, ainda lamentam o fim do antigo "point" da classe média “cult” paulistana. Inaugurado em 1952, o cinema cerrou as portas em 17 de março deste ano, após o proprietário não renovar o contrato com os administradores.

Dono da tradicional pizzaria Micheluccio, que funciona na região desde 1957, Edimir Lopes, 51, teve que começar a vender pastéis durante o dia para suprir a queda no faturamento após o fechamento do cinema. O restaurante fica exatamente em frente ao Belas Artes, e grande parte dos clientes da noite eram frequentadores do local.

“Aqui abria só às 18h, mas o fim do cinema me obrigou a vender os pastéis durante o dia. Perdemos clientes antigos, que vinham aqui depois de ver o filme”, diz. Lopes afirma ainda que a proibição de estacionar o carro ao longo da Consolação --em vigor desde 2004, quando o corredor de ônibus foi inaugurado na via-- também prejudicou o movimento no seu estabelecimento.

IMAGENS DO CINE BELAS ARTES

  • Carlos Goldgrub/Folhapress

    O Belas Artes foi aberto em abril de 1990, quando era administrado pela produtora francesa Gaumont

  • Zanone Fraissat/Folhapress

    Última sessão do Cine Belas Artes antes do fechamento, em 17 de março deste ano

  • Willians Valente/UOL

    Depois de fechado, as paredes do Cine Belas Artes foram alvo de pichadores e grafiteiros

Cláudio Bezerra, 38, funcionário da Micheluccio, estima que a pizzaria perdeu um terço dos clientes desde o fim do Belas Artes. “Se é para ajudar a reabrir o cinema, pode dizer na reportagem que afetou muito. Perdemos pelo menos 30% dos fregueses. Outros bares que tinham história, como o Burger Beer, o Bar do Guedes, tiveram que fechar as portas.”

Os estacionamentos próximos ao Belas Artes também foram afetados. Alguns, que funcionavam até a madrugada, passaram a fechar às 21h. Clei Alves dos Santos, 27, manobrista, diz que o estacionamento em que trabalha parou de funcionar aos domingos. “Todo domingo aqui ficava lotado. Agora eu acho que o movimento caiu uns 40%”, diz.

Para Odete Machado, dona de uma das cinco bancas de livros que funcionam na passagem subterrânea cultural que fica ao lado do cinema, o problema maior do fim do Belas Artes é de ordem emocional. “O público continua vindo na galeria, mas o fim do cinema foi uma grande perda. Fiz muitas amizades com frequentadores de lá. Era uma boa opção de lazer. Não tenho grana para ir ao Reserva Cultural ou ao cinema da Livraria Cultura.”

Abrigo para moradores de rua

Alguns dias após o fechamento, pichadores e grafiteiros deixaram suas marcas nas vitrines e paredes do Belas Artes, colorindo as paredes vermelhas do espaço. Além de "painel" para os artistas do spray, o espaço ganhou outra função social: à noite e, eventualmente, de dia, moradores de rua descansam sob as marquises do local.

“Eu e mais quatro dormimos aqui. Antes, com o cinema aberto, não dava. Era muito movimento. Agora é sossegado, ninguém vem perturbar”, afirma Jaílson Ferreira, 40, que mora na rua.

Para evitar invasões e depredações, o proprietário do imóvel contratou quatro seguranças para vigiar o espaço dia e noite, que se revezam em dois turnos de 12h. Um deles é Antonio Pereira, 50: “Agora está tudo pacífico. O cinema está vazio. Tiraram tudo que tinha dentro”, diz.

Tombamento e futuro

O fechamento do Belas Artes mobilizou os frequentadores do local que, por meio das redes sociais, organizaram atos na rua e no próprio cinema. Na época, o antigo administrador da sala, André Sturm, tentou negociar com o proprietário Flávio Maluf a renovação do contrato, mas as partes não chegaram a um acordo quanto ao valor.

Mesmo sem o patrocínio do banco HSBC há quase um ano, os inquilinos chegaram a oferecer cerca de R$ 80 mil pelo aluguel, mas o dono queria quase o dobro (R$ 150 mil), o que inviabilizou o negócio.

  • Fachada do Cine Belas Artes em 16 de março... e em 29 de julho deste ano

Sturm, atualmente diretor do MIS (Museu da Imagem e do Som), diz que todos os equipamentos do cinema já foram doados. “Nos desfizemos. Não dava para guardar todo o equipamento, mais de mil cadeiras...”, afirma.

O antigo administrador do Belas Artes, contudo, ainda mantém a esperança de reabrir o cinema. Para tanto, espera que o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental), órgão da Secretaria Municipal de Cultura, decida favoravelmente ao tombamento do prédio.

O Departamento de Patrimônio Histórico, da mesma secretaria, já se manifestou a favor. Agora, o Conpresp aguarda um parecer da Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a Secretaria de Negócios Jurídicos foi envolvida no processo porque o Belas Artes não se enquadra exatamente em nenhuma das áreas de tombamento. “Precisamos saber se o cinema pode ou não ser considerado patrimônio imaterial como o folclore, por exemplo. Como patrimônio material é complicado, porque a estrutura do prédio já passou por várias reformas”, diz a assessoria.

Se for tombado, o proprietário terá que acatar uma série de limitações no funcionamento do cinema, que restringiriam o aluguel para determinados clientes comerciais, o que pode favorecer a locação para os antigos administradores do Belas Artes . “Eu imagino que, com o tombamento, alugar para nós possa ser um bom negócio [ao proprietário], disse Sturm.

De acordo com Fábio Luchesi Filho, advogado de Flávio Maluf, o dono do imóvel só irá decidir o futuro do espaço após a decisão sobre o tombamento.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mensagem de resposta ao convite da Audiência Pública feita ao secretário Carlos Augusto Calil

Prezado deputado Carlos Giannazi,

Agradeço o convite para a audiência pública e cumprimento-o pela iniciativa.

Infelizmente em função de compromisso anteriormente assumido não
poderei comparecer.

Já me manifestei publicamente pelo tombamento do Belas Artes. No
âmbito da Secretaria Municipal de Cultura, o Departamento de
Patrimônio Histórico, num parecer corajoso, recomendou ao Conpresp um
tombamento inédito.

O Conpresp, para assegurar a legalidade de tal ato, encaminhou
consulta à Procuradoria Geral do Município, que ainda não se
manifestou.

Tão logo o parecer seja conhecido, o assunto voltará à pauta desse
órgão colegiado.

Na expectativa de que a audiência pública lance novas luzes sobre o
tema, despeço-me muito cordialmente.

Carlos Augusto Calil
(Secretário Municipal de Cultura)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tombamento do Cine Belas Artes - A história continua

Hoje estávamos em 5 pessoas aguardando uma noticia boa, quando o presidente do compresp, nos alertou de que a secretaria de urbanismo da cidade ainda nao enviou o relatório referente ao parecer jurídico sobre o tombamnto do cinema.
Restou-nos apenas nos retirar do local cabisbaixos novamente, pois a ladainha, digo, história no compresp continua.
Ate quando esse povo vai adiar a decisão?
Restamos agora aguardar mais tempo, enquanto o belas ta fechado, e nos aqui, órfãos de filmes de qualidade.

Próxima votação do compresp: 21 de junho das 9 as 13
Audiência publica no Alesp: 16 de junho das 19 as 21